Vou começar pelo que realmente importa — e que quase ninguém diz com clareza.

Marketing de conteúdo não é uma boa estratégia para todas as empresas.
E, em muitos casos, insistir nela é justamente o que trava o crescimento de empresas B2B entre 10 e 50 funcionários.

Não estou dizendo que marketing de conteúdo “não funciona”.
Estou dizendo que ele funciona dentro de um contexto específico de negócio, com pré-requisitos claros de estrutura, tempo e gestão. Fora disso, vira custo emocional, operacional e financeiro — disfarçado de estratégia.

Essa distinção é fundamental para qualquer CEO que já:

  • investiu tempo escrevendo conteúdos,
  • contratou redator ou agência,
  • publicou por meses,
  • e, no fim, não viu impacto real em vendas.

Marketing de Conteúdo não é uma tática — é uma decisão de modelo

O erro mais comum que vejo não é técnico.
É conceitual.

Marketing de conteúdo costuma ser tratado como:

“Vamos produzir conteúdo porque todo mundo diz que é importante.”

Na prática, ele é uma aposta de médio e longo prazo que consome:

  • tempo de pessoas estratégicas,
  • capacidade de gestão,
  • orçamento indireto (produção, revisão, SEO, distribuição),
  • e foco organizacional.

Peter Drucker já alertava que “não existe nada tão inútil quanto fazer eficientemente algo que não deveria ser feito”. Marketing de conteúdo entra exatamente nesse risco quando é adotado sem uma leitura realista do estágio do negócio.


O que quase ninguém quantifica (mas deveria)

Sendo engenheiro de formação, sempre me incomodou o romantismo em torno do marketing de conteúdo.

Todo mundo fala de:

  • autoridade,
  • engajamento,
  • valor,
  • longo prazo.

Pouca gente fala de:

  • esforço necessário
  • viabilidade operacional
  • retorno esperado em função do estágio da empresa

Então vamos colocar números — mesmo que estimados.

Suponha que sua empresa B2B queira fechar 3 contratos por mês.

Se sua taxa de conversão comercial for de 10%, você precisa de 30 leads qualificados/mês.

Agora a pergunta que quase ninguém responde:

Quantos conteúdos você precisa produzir para gerar esses 30 leads?

Se você ainda não tem histórico, a resposta não é bonita.

Empresas B2B que estão começando do zero, sem audiência, sem autoridade de domínio e sem base ativa, podem gerar algo próximo de 0,03 leads por conteúdo nos primeiros meses.

Isso significa:

  • cerca de 100 conteúdos para gerar 3 leads
  • e 1.000 conteúdos para gerar 30 leads

Mesmo que esses números variem por segmento, a ordem de grandeza não muda muito.

Agora faça a conta de tempo:

  • 3 a 4 horas para produzir um conteúdo decente
    • 1 hora de otimização
    • 1 hora de divulgação e interação

Estamos falando de 5 a 6 horas por conteúdo.

Resultado:
👉 5.000 a 6.000 horas de trabalho para atingir um objetivo que o negócio precisa resolver agora.

Essa conta não fecha.


“Mas marketing de conteúdo funciona para muita gente”

Sim. Funciona.

Funciona para empresas que:

  • já têm tráfego recorrente,
  • já têm autoridade,
  • já têm equipe,
  • já têm caixa,
  • já sobreviveram à fase crítica.

Ou seja: não é o ponto de partida, é o ponto de consolidação.

O problema é que boa parte dos conteúdos que rankeiam bem no Google são escritos por empresas que já passaram por essa fase, mas vendem a estratégia como se fosse universal.

Clayton Christensen chamaria isso de overshooting: entregar uma solução sofisticada demais para um problema que ainda é estrutural.


Marketing de Conteúdo não resolve falta de gestão

Aqui entra um ponto que considero central.

Na maioria das empresas B2B que atendo, o problema não é falta de estratégia.
É falta de gestão de marketing.

Sem gestão:

  • não há priorização,
  • não há cadência,
  • não há decisão de parar,
  • não há leitura clara de custo x retorno.

É por isso que sempre reforço a importância de uma gestão de marketing eficaz, como no modelo de CMO as a Service, que permite tomar decisões estratégicas sem o custo fixo de um executivo interno.
👉 https://notopo.com/cmo-as-a-service-gestao-de-marketing/

Marketing de conteúdo sem gestão vira militância criativa — não desenvolvimento de negócio.


E para empresas de tecnologia B2B?

Aqui o cuidado precisa ser ainda maior.

Empresas de tecnologia B2B costumam:

  • ter ciclos de venda longos,
  • tickets relevantes,
  • múltiplos decisores.

Conteúdo genérico dificilmente avança uma venda complexa.

Por isso, quando falamos de marketing para empresas de tecnologia B2B, conteúdo só faz sentido quando está integrado a:

Caso contrário, vira vitrine vazia.


Onde o Marketing de Conteúdo faz sentido, de fato

Na minha experiência, marketing de conteúdo funciona bem quando:

  1. O negócio já gera leads por outros canais
  2. O conteúdo atua como reforço de autoridade
  3. Existe clareza de ICP
  4. Há gestão para decidir o que manter e o que cortar
  5. Ele não é a única fonte de geração de demanda

Especialmente quando combinado com estratégias mais direcionadas, como Account Based Marketing (ABM), onde o conteúdo deixa de ser massivo e passa a ser cirúrgico.
👉 https://notopo.com/blog/account-based-marketing-abm-o-que-e-e-como-implementar-na-sua-empresa/


Curto prazo exige outro tipo de decisão

Se o objetivo é resultado no curto prazo, começar do zero com marketing de conteúdo é ilusório.

Não existe atalho conceitual aqui.

Nesse cenário, alternativas como:

São estratégias menos “bonitas”, porém muito mais honestas do ponto de vista de negócio.


Conteúdo não é ruim. Ilusão é.

Não sou contra marketing de conteúdo.
Sou contra vendê-lo como solução universal.

Empresas B2B travam não por falta de esforço, mas por escolhas erradas de prioridade.

É aqui que entra o papel de uma consultoria de marketing B2B orientada à gestão, não à promessa.
👉 https://notopo.com/blog/consultoria-de-marketing-ou-gestao-descubra-o-que-realmente-gera-resultado/

Nem tudo que funciona para empresas grandes faz sentido para quem ainda precisa construir previsibilidade.


A pergunta que realmente importa

Antes de decidir investir em marketing de conteúdo, todo CEO deveria se perguntar:

Isso ajuda meu modelo de negócio agora — ou só me faz parecer que estou “fazendo marketing”?

Marketing de conteúdo é um ativo.
Mas ativo só faz sentido quando o negócio já se sustenta.

O resto é estética.

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