Comércio eletrônico: um caminho sem volta?

comércio eletrônico

No Brasil, ainda no século XX, o comércio eletrônico iniciou seu crescimento de forma muito lenta. Poucos atores econômicos o viam com otimismo e os consumidores o viam com desconfiança. Entretanto, atualmente impulsionado pela situação conjuntural do país/mundo em 2020, os números impressionam. Entenda a sua importância e as prospectivas que pode trazer para o seu negócio.

Comércio eletrônico: uma Ferrari no gelo

Estudos mostram que o e-commerce no Brasil de 1999 a 2019 teve apenas 6% de penetração no varejo brasileiro. Isso mesmo, o país precisou de 20 anos para obter míseros 6 pontos (fonte InfoMoney).

Essa tendência foi bruscamente afetada pela situação conjuntural do país/mundo em 2020 e as dificuldades para o comércio tradicional geradas pelas restrições impostas para o combate da pandemia.

Ninguém poderia imaginar que o comércio eletrônico no Brasil era uma Ferrari recebendo sinal verde em uma pista de gelo… Depois de 20 anos patinando na arrancada, a pista de gelo virou uma pista de asfalto e o que se viu foi uma disparada de 4% de aumento em apenas 12 meses. Ou seja, em apenas um ano o Brasil teve um aumento quase semelhante ao que obteve em 20 anos.

As vendas, por outro lado, cresceram nada menos que 75% em 2020, em comparação com o mesmo período do ano passado (fonte Mastercard SpendingPulse).

Essa transformação da pista é uma metáfora do que aconteceu na infraestrutura do país, bem como a uma situação que não deixou muitas alternativas tanto para consumidores quanto para empresários.

O que está tornando o comércio eletrônico possível?

Trinta anos se passaram e muita coisa mudou. O crescimento e a importância do comércio eletrônico para as empresas e o país se deve em parte a diversos fatores. Assim, podemos citar alguns e colocá-los em três categorias importantes.

Estrutura

Como estrutura podemos destacar todos os meios e ferramentas criadas e/ou desenvolvidas que servem como base para a realização do comércio. Entre elas podemos citar:

  • a melhoria e confiabilidade dos sistemas de pagamento;
  • a disseminação e melhoramento das redes de internet no país;
  • o desenvolvimento de smartphones que permitem um fácil acesso a sites e negócios online (não é mais necessário um PC ou notebook) além de fazer com que o usuário fique mais tempo “disponível” a notificações e “chamamentos” para compra;
  • a criação, desenvolvimento e proliferação de aplicativos que facilitam e agilizam o comércio;
  • a criação de instrumentos que permitem a aproximação “eletrônica” entre empresa e consumidor/cliente;
  • a modernização dos sistemas de rastreamento das mercadorias que transmitem segurança ao cliente possibilitando acompanhar o andamento da mercadoria.

Em segundo lugar, é de se notar, ainda, que os consumidores não tinham muito amparo à época. Em março de 1991 tinha entrado em vigor a Lei nº 8.078/90, que ficou conhecido como Código de Defesa do Consumidor. Porém essa norma estava defasada pois foi somente em 2012, que o Senado apresentou o Projeto de Lei 281/2012 para atualizar o Código de Defesa do Consumidor, visando a fortalecer a confiança no comércio eletrônico e assegurar sua tutela.

Empresa

Do lado das empresas também houve muitas mudanças e aperfeiçoamentos principalmente nas estratégias de marketing. Por exemplo:

  • aperfeiçoamento de estratégias de inbound e outbound marketing;
  • disseminação de técnicas como o benchmarking;
  • a elaboração e aperfeiçoamento de buyer personas por parte dos empresários;
  • o surgimento e a utilização de redes sociais – como o LinkedIn para empresas;
  • a introdução de práticas como o Account Based Marketing, entre tantos outros aperfeiçoamentos;
  • oferecimento de serviços financeiros, como carteiras digitais e cashback;
  • investimentos e desenvolvimento de sites e aplicativos próprios;
  • aprimoraram seu posicionamento estratégico, investindo na contratação de empresas de consultoria de marketing digital para treinamento e atualização em técnicas e estratégias de marketing digital;
  • desde pequenas e médias, até grandes empresas construíram ou ampliaram sua atuação no comércio online;

Cliente

Do lado do consumidor podemos individuar alguns fatores que tendem a favorecer o comércio eletrônico:

  • mudança (forçada) de grande parte dos consumidores com perfil conservador;
  • diminuição do medo de algo que passa a não ser mais novidade;
  • aumento da confiança nas lojas online – constatação de que os produtos chegam até suas casas;
  • maior número de pessoas com acesso a internet e smartphones (veja dados ANATEL);
  • nova geração de consumidores (geração Z) muito mais conectados e familiarizados com internet que atingem idade de comprar e poder aquisitivo;
  • diminuição da insegurança nas transações com cartões com o desenvolvimento de aplicativos bancários, site mais seguros e garantia contra fraudes;

Além disso tudo, como já acenado, o comércio eletrônico foi um canal que virou a salvação para muitas empresas em 2020.

Da salvação ao modelo de negócios?

O ano de 2020 realmente veio pra deixar sua marca. Além da pandemia, ele está deixando um rastro de profundas mudanças também, sobretudo, nas relações pessoais e na economia.

Surpreendentemente (ironia!), o brasileiro verificou que o produto que ele compra pelo e-commerce realmente chega em sua casa. Desse modo, ele vem adotando cada vez mais esse modelo de compra.

Dados mostram como o desenvolvimento do comércio eletrônico está fazendo com que as empresas repensem seu modelo de negócios. De fato, como aponta a IstoÉ Dinheiro, a empresa L’Occitane fechou nada menos que 39 lojas da marca L’Occitane au Brésil no Brasil. Ela é um de empresas que optam por fechar lojas físicas e concentrar seus esforços no modelo do comércio eletrônico.

Estimativas feitas por algumas empresas de investimento apontam que o comércio eletrônico deve crescer 32% em 2021. Além disso, termos como “figital” – união de físico e digital – devem começar a fazer parte do nosso vocabulário.

comércio eletrônico foguete

Além disso, é notório que empresas como Facebook, Instagram, Google, entre outros, vêm desenvolvendo técnicas e estratégias psicológicas que conseguem capturar a atenção das pessoas e mantê-las mais tempo conectadas e dependentes de notificações dos dispositivos digitais.

Por isso a professora de Harvard, Shoshana Zuboff publicou estudo sobre o tema em seu livro The Age of Surveillance Capitalism: The Fight for a Human Future at the New Frontier of Power

Como o negócios deles é publicidade, adivinha o que isso acarreta? Nas pessoas, ativação de mecanismos sociais de desejo e, portanto, montanhas de vendas eletrônicas para as empresas, é claro!

Certamente os hábitos de consumo são importantíssimos para o desenvolvimento do comércio eletrônico. Mas não se pode deixar de notar que ele envolve claros benefícios econômicos à empresa, pois proporciona que o empresário se livre de altos custos fixos, como aluguéis em salas comerciais centrais ou em shopping centers.

Portanto, a estrada do comércio eletrônico é somente uma: para o alto!

Se você quiser sobreviver no Século XXI, é bom se preparar para lidar com o e-commerce pois ele chegou pra ficar.

Sucesso!


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *